Céu Incandescente - O Diário
DIARIO :
Dia Um, 25:30 hora local.
Espero que escrever este diário tome mais as horas do meu dia e desta noite tão estranha a mim, minha pretensão é manter um registro da historia deste meu desterro neste planeta a que seus nativos, os Oglis, chamam de Ostro, na intenção de que, em um futuro indefinido ele venha a cair em mãos humanas. Considero hoje o dia 1, do ano 1, ignorando a contagem de tempo local, que me posicionaria em algo em torno do ano de 13600 e da terrana que me levaria ao auge do ano 2650 DC, pois este foi o ano em que fui banido do convívio com a raça humana e preso a este mundo de bestas, meu ultimo contado com meu mundo findou-se as 6:30 (hora local) com a morte de Jess, minha companheira de expedição e ultimo terráqueo em Osteo, fora eu, que nem mais sei se posso me enquadrar nesta categoria. Um bom principio, acredito, seria descrever o planeta e o motivo que me trouxe a um lugar tão longínquo e abandonado pelos homens, foi um fortuito acaso, uma destas brincadeiras que o criador usa, para encher seus dias vazios, eu fui o brinquedo, e agora, acho que ele cansou-se de mim.... Osteo, é basicamente um planeta aquático, não descobrimos criaturas marinhas inteligentes, mas os nativos do único continente existente, juram que elas existem e as cultuam como se fossem divindades e simultaneamente antepassados. Nosso único contato com algum tipo de inteligência foi com uma raça de criaturas, autoproclamada "Oglis", na língua terrena, que na terra chamaríamos de hominídios , ao mesmo tempo em que eles, em Osteo, nos chamariam de oglianicos, se nos chamassem de algo, por que os Oglis não possuíam linguagem falada antes da chegada dos Humanos e da fundação da colônia, não compreendemos como desenvolveram sua civilização, sem linguagem falada ou escrita, mas sabemos que eles possuem uma alta capacidade telepática e que se comunicam... Os nativos diferem em muito de nós em sua compleição física, parecendo-nos animais derivados de um cruzamento entre gorilas e ursos. O tamanho de seus corpos varia radicalmente em função da posição, da postura que adotam no momento. Tem uma grande força e agressividade individual, que controlam por meio de leis sociais rígidas e um alto controle extraordinário. O homem que tiver a sorte (ou o azar) de ver um Ogli furioso, nunca mais dormira em paz em Osteo.... Como disse anteriormente, o planeta é quase completamente coberto por um vasto oceano, diferente dos terrestres, de uma salinidade, quase desprezível, possui uma única grande porção de terra, onde vivem os Oglis, e pequenas ilhas rochosas ao longo de todo o oceano, a navegação dos nativos resume-se a pequenas embarcações que transportam quando muito 5 navegantes, entre o continente e as ilhas mais próximas, que são usadas como lugares de confinamento temporário ou treinamento individual, sim, isto mesmo, entre estas feras, existem ermitãos que passam grande parte de sua vida, que em muito supera a expectativa humana, mesmo nos tempos atuais, em completo isolamento contemplativo. Minha querida Jess, poderia explicar melhor as criaturas que povoam este habitat tão inóspito aos pequeninos seres da terra, com sua gravidade de 1,8 gravidades terrestres e sua atmosfera tão repleta de oxigênio que embriaga os humanos ao nível do mar, praticamente não existe gás carbônico, e as plantas desenvolveram-se de modo muito diferente ao terrestre, o mar é a maior fonte de nutrientes... Me sinto cansado.... O dia deve clarear com seu primeiro estúpido sol em 3 horas, me esconderei dele e voltarei a escrever amanha, após a minha luta diária...

Dia 2 ano 1 : 13:00 Horas.

Dei sorte hoje, ainda bem que por vezes os pobres espíritos que ficaram aprisionados neste inferno silencioso comigo, me auxiliam e fazem com que o dia se torne simples. Minha companheira, minha morta companheira, Jess, lidava com os segredos mágicos da alimentação humana em Osteo e eu vivia despreocupado com este aspecto, mas agora só dependo de mim mesmo para processar os alimentos, cheios de armadilhas que este inferno de planeta me proporciona, ou p3elo menos terei de faze-lo. Hoje não precisei, buscando pelos corredores vazios e abandonados da base terrana, encontrei um estoque considerável d alimentos pastosos e desidratados, que os astronautas utilizavam em suas viagens à Lua, que chamamos de cristal, mais próxima de Osteo, para pesquisas, o estoque ao que pude ler nas embalagens deve me alimentar por pelo menos um ano. Já falei de Jess por duas vezes e não expliquei nada, ao que vejo relendo meu pobre diário, não posso deixar a quem lê, carente de informações, então antes de prosseguir com o relato de minha chegada, vou contar a história desta pessoa tão cara a mim neste momento. Jess era uma experiente bióloga, considerada pelos textos da terra uma das 10 melhores biólogas da confederação terrestre, era também uma piloto de conhecidas capacidades, e o mais belo exemplar do sexo feminino que eu tivera o prazer de conhecer em meus 72 anos na terra, ela tinha 52 anos, o auge da maturidade das pessoas na terra em nossos dias, a expectativa de vida mudara rapidamente em um tempo muito curto de tempo, e comparando ela a meus avos que conheci em criança, e as fotografias bidimensionais antigas que minha mãe guardava como um tesouro, digo que ela teria aproximadamente o equivalente aos 30 anos de minha avó. Seus cabelos louros e curtos, emolduravam um rosto pequeno e sério, provido de esmeraldas de um verde intenso, que as outras mulheres chamavam de olhos, eu nunca vira olhos em seu rosto, só pedras preciosas. Me contara de uma infância feliz, e de um pai sábio e moderno, que infelizmente fora o ultimo dos homens da terra, morto por um extinto mal, nomeado câncer. Contou-me também de dificuldades nos anos de universidade e dedicação, possuía um medo imenso de falhar, mas uma vida movimentada, cheia de grandes amores e momentos riquíssimos. Fora um modelo de mulher, de aluna e de maluca, por toda sua vida, um destes casos raros onde podemos combinar o roxo e o amarelo e ainda assim conseguir uma combinação perfeita. Era a Bióloga designada para a nave Náutilus IV. Eu ??? eu era tão somente um louco, que um dia a vira na terra e resolvera que devia segui-la por saber que fizesse ela o que fizesse, estaria sempre certa. Ao saber da grande viagem da Náutilus, candidatei-me a qualquer vaga que existisse, e fui contratado como operador de sistemas eletrónicos. Viajei os três anos do percurso, fazendo diversas coisas, das quais logo era expulso, pelo prazer de estar confinado tão próximo dela. Depois de algum tempo, me esqueceram e eu só viajava e divertia os viajantes ocupados ou ociosos... Foram 4 anos e meio de percurso e milhares de anos luz. E nunca fui brindado nem sequer com um olhar fortuito, mas estava satisfeito. Chegamos ao planeta, no alvorecer de uma primavera, no ano de 2637.. A construção da colônia demorou por volta de seis meses, e então os afazeres forma redistribuídos, e eu já havia subornado o chefe de setor de estudos biológicos com as dividas de jogo que ele contraíra em intermináveis jogos de poker ao longo da longa viagem e deliciado a velha diretora do departamento de recursos humanos & e designações suprindo suas rudes necessidades de distorcidos rituais sexuais por tempo suficiente... Fui designado Biólogo auxiliar, munido de um diploma falso e das modificações do sistema de controle informático, que me custaram noites de um triste papai e mamãe com a mais horrível mulher que já vira na vida, e que tinha o útil cargo de Chefe do setor d Programação e analise de Sistemas. Merda.... Me empolguei e nem vi que o tal de Argus estava a pino, sua alta radiação me custara dias, no equipamento de equilíbrio e reconstituição...

Dia 05 ano 1... hora indefinida

Revigorado e feliz (?) voltei a escrever, Não sei como estes animais locais, estes Grandes símios (?) conseguem sobreviver a um nível tão alto de radiação e calor! Tenho que me lembrar de buscar nos arquivos do setor biológico este pequeno detalhe que me escapou a observação. Sai da maquina de regeneração a duas horas, faminto, corri a despensa e consumi 6 tubos de alimento, tem um gosto insípido, mas alimenta, depois de poucos momentos, um mau estar me levou a buscar no chão da despensa as embalagens de alimento vazias, e, puta que pariu, descobri que consumi pelo menos3 quilos das mais diversas iguarias terrestres. Vai ser um dia difícil, se ainda consigo interpretar bem estes sons estranhos que saem do meu ventre e estes movimentos internos. Devem fazer pelo menos uns 40 anos que não tenho uma disfunção orgânica.... É hoje....

Dia 06 ano 1 - Manhã

Anotação : Se quiser sobreviver Osteo por algum tempo tenho que aprender a ler as embalagens, principalmente dos alimentos.... Hoje não vou comer nada com certeza, sinto-me fraco e oscilante...Jess, Jess, que falta sinto de você....

Dia 10 ano 1 - Entardecer

Esta é a melhor hora do dia para mim, será que não chove, neste planeta estranho ? Não, não chove, não em terra, a água evaporadas movimenta-se tão somente em uma parte do oceano, onde sempre precipitam , dia após dia, em terra, neste solo completamente úmido, correm rios e a água do grande mar, infiltra-se através das plantas, a terra tem uma espessura media nas bordas, de no máximo 1 quilometro, nos sensores da nave o continente parece-se com uma grande arvore, com um tronco rochoso que se projeta das profundezas do oceano e abre-se em uma grande copa de terreno que cresce ano após ano. Eu tentei, por vezes, descrever a viagem, mas percebo que fugi ao assunto, não fugirei mais, O Náutilus era uma obra fantástica de engenharia, uma nave espacial de proporções gigantescas, que uma vez pousado se transformava, não somente o núcleo central de uma perfeita cidade terráquea, com tudo que seria necessário para suprir os moradores, algo em torno de 8000 pessoas ao final do prazo programado de 100 anos da experiência, mas também um espaçoporto para naves de médio e grande porte, e uma maquina prospectora, os humanos queriam um minério que foi denominado no ano de 2136 (terra) de Flunídio, pelo grande cientista Linus Trevourm, um produto da interação da água pura com outros minérios, que em condições de pressão e radiação o formavam. Este minério tinha um estado semi-fluido, maleável, e uma carga energética estupenda, ele, nos dias atuais movimentava a nave Náutilus, e os espectógravos terrestres, o haviam encontrado em grandes proporções na base do continente de Osteo, por isto estávamos lá. Por este motivo estúpido, eu vou morrer nesta terra esquecida pelo criador.

18º dia ano 1. - Noite.....

Jess. você faz muita falta... Estou só.....